segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Vivre d'Amour (Viver de Amor), poema de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (musicado)

Interpretado por Sylvie Buisset.


3 – Vivre d’Amour, c’est vivre de ta vie,   (Viver de amor é viver de tua vida)
Roi glorieux, délice des élus.   (Rei glorioso, delícia dos eleitos)
Tu vis pour moi, caché dans une hostie   (Tu vives por mim, escondido em uma hóstia)
Je veux pour toi, me cacher, ô Jésus!   (Eu quero, por ti, ó Jesus, também me esconder)
A des amants, il faut la solitude   (Para os apaixonados, é preciso solidão)
Un cœur à cœur qui dure nuit et jour (Um diálogo de corações que dura noite e dia)
Ton seul regard fait ma béatitude (Um só olhar teu, faz toda a minha felicidade)
Je vis d’Amour!… (Eu vivo de Amor.!...)

6 – Vivre d’Amour, c’est bannir toute crainte    (Viver de Amor é banir todo temor)
Tout souvenir des fautes du passé.   (Toda lembrança das faltas do passado)
De mes péchés je ne vois nulle empreinte,   (Dos meus pecados não vejo mais nenhuma marca)
En un instant l’Amour a tout brûlé…   (Em um instante o Amor tudo queimou...)
Flamme divine, ô très douce Fournaise!   (Chama divina, ó dulcíssima Fornalha)
En ton foyer je fixe mon séjour   (Em teu ardor, eu  fixo minha morada)
C’est en tes feux que je chante à mon aise: ( No teu fogo, eu canto e estou à vontade:)
« Je vis d’Amour !… » (Eu vivo de Amor!...)

7 – Vivre d’Amour, c’est garder en soi-même    (Viver de Amor é guardar em si mesmo)
Un grand trésor en un vase mortel    (Um grande tesouro em um vaso mortal)
Mon Bien-Aimé, ma faiblesse est extrême   (Meu Bem-Amado, minha fraqueza é extrema)
Ah je suis loin d’être un ange du ciel!…   (Estou bem longe de ser um anjo do céu!...)
Mais si je tombe à chaque heure qui passe   (Mas se caio a cada hora que passa)
Me relevant tu viens à mon secours,  (Erguendo-me, tu vens em meu socorro)

À chaque instant tu me donnes ta grâce, (A cada instante tu me dás tua graça)
Je vis d’Amour ! (Eu vivo de Amor!...)

11 – Vivre d’Amour, c’est essuyer ta Face   (Viver de Amor é enxugar tua Face)
C’est obtenir des pécheurs le pardon   (É obter o perdão dos pecadores)
O Dieu d’Amour ! Qu’ils rentrent dans ta grâce   (Ó Deus de Amor! Que eles voltem para a tua graça)
Et qu’à jamais ils bénissent ton Nom… (E que para sempre bendigam o teu Nome...)
Jusqu’à mon cœur retentit le blasphème  (Em meu coração ressoa ainda a blasfêmia dos pecadores)
Pour l’effacer, je veux chanter toujours : (Para apagá-la, eu quero cantar sempre:)
"Ton Nom Sacré, je l’adore et je l’Aime" (Teu Nome Sagrado, eu o adoro e o Amo)
Je vis d’Amour !… » (Eu vivo de Amor!...)

1 – Au soir d’Amour, parlant sans parabole   (Na tarde do Amor, falando sem parábolas)
Jésus disait: « Si quelqu’un veut m’aimer   (Jesus dizia: Se alguém quer me amar)
Toute sa vie, qu’il garde ma parole   (Que, por toda sua vida, guarde minha palavra)
Mon Père et moi viendrons le visiter.  (Meu Pai e eu viremos visitá-lo)
Et de son cœur faisant notre demeure  (E fazendo de seu coração nossa morada)
Venant à lui, nous l’aimerons toujours! (Vindo até ele, nós o amaremos para sempre)
Rempli de paix, nous voulons qu’il demeure (Cheio de paz, queremos que ele permaneça)
En notre Amour!… » (Em nosso Amor!...)

3 – Vivre d’Amour, c’est vivre de ta vie,   (Viver de amor é viver de tua vida)
Roi glorieux, délice des élus.   (Rei glorioso, delícia dos eleitos)
Tu vis pour moi, caché dans une hostie   (Tu vives por mim, escondido em uma hóstia)
Je veux pour toi, me cacher, ô Jésus!   (Eu quero, por ti, ó Jesus, também me esconder)
A des amants, il faut la solitude   (Para os apaixonados, é preciso solidão)
Un cœur à cœur qui dure nuit et jour (Um diálogo de corações que dura noite e dia)
Ton seul regard fait ma béatitude (Um só olhar teu, faz toda a minha felicidade)
Je vis d’Amour!… (Eu vivo de Amor.!...)

6 – Vivre d’Amour, c’est bannir toute crainte    (Viver de Amor é banir todo temor)
Tout souvenir des fautes du passé.   (Toda lembrança das faltas do passado)
De mes péchés je ne vois nulle empreinte,   (Dos meus pecados não vejo mais nenhuma marca)
En un instant l’Amour a tout brûlé…   (Em um instante o Amor tudo queimou...)
Flamme divine, ô très douce Fournaise!   (Chama divina, ó dulcíssima Fornalha)
En ton foyer je fixe mon séjour   (Em teu ardor, eu  fixo minha morada)
C’est en tes feux que je chante à mon aise: ( No teu fogo, eu canto e estou à vontade:)
« Je vis d’Amour !… » (Eu vivo de Amor!...)

7 – Vivre d’Amour, c’est garder en soi-même    (Viver de Amor é guardar em si mesmo)
Un grand trésor en un vase mortel    (Um grande tesouro em um vaso mortal)
Mon Bien-Aimé, ma faiblesse est extrême   (Meu Bem-Amado, minha fraqueza é extrema)
Ah je suis loin d’être un ange du ciel!…   (Estou bem longe de ser um anjo do céu!...)
Mais si je tombe à chaque heure qui passe   (Mas se caio a cada hora que passa)
Me relevant tu viens à mon secours,  (Erguendo-me, tu vens em meu socorro)

À chaque instant tu me donnes ta grâce, (A cada instante tu me dás tua graça)
Je vis d’Amour ! (Eu vivo de Amor!...)

11 – Vivre d’Amour, c’est essuyer ta Face   (Viver de Amor é enxugar tua Face)
C’est obtenir des pécheurs le pardon   (É obter o perdão dos pecadores)
O Dieu d’Amour ! Qu’ils rentrent dans ta grâce   (Ó Deus de Amor! Que eles voltem para a tua graça)
Et qu’à jamais ils bénissent ton Nom… (E que para sempre bendigam o teu Nome...)
Jusqu’à mon cœur retentit le blasphème  (Em meu coração ressoa ainda a blasfêmia dos pecadores)
Pour l’effacer, je veux chanter toujours : (Para apagá-la, eu quero cantar sempre:)
"Ton Nom Sacré, je l’adore et je l’Aime" (Teu Nome Sagrado, eu o adoro e o Amo)
Je vis d’Amour !… » (Eu vivo de Amor!...)

13 – Vivre d’Amour, quelle étrange folie! » (Viver de Amor, que estranha loucura!)
Me dit le monde, «Ah! cessez de chanter,   (Me diz o mundo: "Ah! não pare de cantar)
« Ne perdez pas vos parfums, votre vie,    (Não perca teus perfumes, tua vida)
« Utilement sachez les employer !… »   (Saiba empregá-los de modo útil")
T’aimer, Jésus, quelle perte féconde!… (Amar-te, Jesus, que perda fecunda)
Tous mes parfums sont à toi sans retour,  (Todos os meu perfumes são para ti, sem volta)
Je veux chanter en sortant de ce monde : (Quero cantar ao sair deste mundo:)
« Je meurs d’Amour ! »  (Eu morro de Amor)

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

"Sei que sou sustentada e aqui está a minha tranquilidade e segurança, não a segurança sábia do homem que está num terreno seguro com as próprias forças, mas a doce feliz segurança da criança sustentada por um braço forte".
1891-1942
De origem judia, filósofa (segunda mulher a obter o título de doutora em filosofia na Alemanha), Edith Stein converteu-se ao catolicismo e ingressou no Carmelo Descalço com nome de Teresa Benedita da Cruz. Morreu na câmara de gás, em Auschwitz, provavelmente em 06 agosto de 1942.

Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!

Veja o artigo: http://cleofas.com.br/edith-stein-e-a-ciencia-da-cruz/

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Te Deum (indulgência em 31/12/2015)

Concede-se indulgência parcial ao fiel que recitar o hino Te Deum (A vós, ó Deus) em ação de graças, e será plenária, quando recitado em público no último dia do ano.




A vós, ó Deus, louvamos, a vós, Senhor, cantamos. A vós, eterno Pai, adora toda a terra. A vós cantam os anjos, os céus e seus poderes: Sois Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! Proclamam céus e terra a vossa imensa glória. A vós celebra o coro glorioso dos Apóstolos. Louva-vos dos Profetas a nobre multidão e o luminoso exército dos vossos santos mártires. A vós por toda a terra proclama a Santa Igreja, Ó Pai onipotente, de imensa majestade. E adora juntamente o vosso Filho único, Deus vivo e verdadeiro, e ao vosso Santo Espírito. Ó Cristo, Rei da glória, do Pai eterno Filho, nascestes duma Virgem, a fim de nos salvar. Sofrendo vós a morte, da morte triunfastes, abrindo aos que têm fé dos céus o reino eterno. Sentastes à direita de Deus, do Pai na glória. Nós cremos que de novo vireis como juiz. Portanto, vos pedimos: salvai os vossos servos, que vós, Senhor, remistes com sangue precioso. Fazei-nos ser contados, Senhor, vos suplicamos, em meio a vossos santos na vossa eterna glória.


(A parte que segue pode ser omitida, se for oportuno.)


Salvai o vosso povo, Senhor, abençoai-o. Regei-nos e guardai-nos até a vida eterna. Senhor, em cada dia, fiéis, vos bendizemos, Louvamos vosso nome agora e pelos séculos. Dignai-vos, neste dia, guardar-nos do pecado. Senhor, tende piedade de nós, que a vós clamamos. Que desça sobre nós, Senhor, a vossa graça, porque em vós pusemos a nossa confiança. Fazei que eu, para sempre, não seja envergonhado. Em vós, Senhor, confio, sois vós minha esperança!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Misericórdia: Afetos e Súplicas. Santo Afonso Maria de Ligório

Meu Deus! Eis aqui um dos que vos têm ofendido porque éreis bom para mim!... Ó Senhor, esperai-me ainda. Não me abandoneis, pois espero, com o auxílio de vossa graça, não tornar a dar-vos motivo para que me deixeis. Arrependo-me, ó Bondade infinita, de vos ter ofendido, cansando vossa paciência.
Agradeço-vos por me terdes esperado até agora. De hoje em diante não tornarei a ser, como hei sido, um miserável traidor. Já que tendes esperado para ver-me convertido em fervoroso amante de vossa bondade, crede, como espero, que esse dia ditoso já despontou. Amo-vos sobre todas as coisas; estimo a vossa graça mais que todos os reinos do mundo, e a perdê-la preferira perder mil vezes a vida. Meu Deus, por amor de Jesus Cristo, concedei-me, juntamente com vosso santo amor, o dom da perseverança até à morte. Não permitais que de novo volte a trair-vos ou deixe de vos amar.
E vós, Virgem Maria, minha esperança, alcançai-me a perseverança final e nada mais vos peço.

Preparação para a morte. Reflexões sobre as verdades eternas.


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Salmo 48(49)


Ouvi isto, povos todos do universo, 
muita atenção, ó habitantes deste mundo;

 poderosos e humildes, escutai-me,  
ricos e pobres, todos juntos, sede atentos! 


 Minha boca vai dizer palavras sábias,  
que meditei no coração profundamente; 
 e inclinando meus ouvidos às parábolas,  
decifrarei ao som da harpa o meu enigma: 

 Por que temer os dias maus e infelizes,  
quando a malícia dos perversos me circunda? 
 Por que temer os que confiam nas riquezas  
e se gloriam na abundância de seus bens? 

 Ninguém se livra de sua morte por dinheiro  
nem a Deus pode pagar o seu resgate. 
 A isenção da própria morte não tem preço;  
não há riqueza que a possa adquirir, 
 nem dar ao homem uma vida sem limites  
e garantir-lhe uma existência imortal. 

-- Morrem os sábios e os ricos igualmente;  
morrem os loucos e também os insensatos,  
e deixam tudo o que possuem aos estranhos; 
-- os seus sepulcros serão sempre as suas casas,  
suas moradas através das gerações,  
mesmo se deram o seu nome a muitas terras. 

 Não dura muito o homem rico e poderoso;  
é semelhante ao gado gordo que se abate.

 Este é o fim do que espera estultamente,  
o fim daqueles que se alegram com sua sorte; 
-- são um rebanho recolhido ao cemitério, 
e a própria morte é o pastor que os apascenta; 
são empurrados e deslizam para o abismo. 

– Logo seu corpo e seu semblante se desfazem,  
e entre os mortos fixarão sua morada. 
 Deus, porém, me salvará das mãos da morte  
e junto a si me tomará em suas mãos. 

 Não te inquietes, quando um homem fica rico  
e aumenta a opulência de sua casa; 
 pois ao morrer não levará nada consigo,  
nem seu prestígio poderá acompanhá-lo. 

 Felicitava-se a si mesmo enquanto vivo:  
‘Todos te aplaudem, tudo bem, isto que é vida!’ 
 Mas vai-se ele para junto de seus pais,  
que nunca mais e nunca mais verão a luz! 

 Não dura muito o homem rico e poderoso:  
é semelhante ao gado gordo que se abate.

Antonio de Pereda. "O sonho do cavaleiro" (1638)


Hino das Vésperas

Autor e origem do tempo,
por sábia ordem nos dais
o claro dia ao trabalho,
e a noite, ao sono e à paz.

As mentes castas guardai
dentro da calma da noite
e que não venha a feri-las
do dardo mau o açoite.

Os corações libertai
de excitações persistentes.
Não quebre a chama da carne
a força viva das mentes.

Ouvi-nos, Pai piedoso,
e vós, ó Filho de Deus,
que como Espírito Santo
reinais eterno nos céus.




domingo, 30 de agosto de 2015

O Senhor se compadeceu de nós.



Dos Sermões de Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja, século V.

(Sermo 23A,1-4: CCL 41,321-323)             

Felizes de nós, se o que ouvimos e cantamos também executamos. A audição é nossa semeadura, e nossos atos, frutos da semente. Disse isto de antemão para exortar vossa caridade e não entrardes sem fruto na igreja, ouvindo tantas coisas boas sem realizá-las. Porque por sua graça fomos salvos, assim diz o Apóstolo, não por nossas obras, não aconteça alguém se ensoberbecer (Ef 2,8-9) pois por sua graça fomos salvos (Ef 2,5). Pois não precedeu nenhuma vida virtuosa que Deus pudesse amar e dizer: “Ajudemos, socorramos estes homens porque vivem bem”. Desagradava-lhe nossa vida, desagradava-lhe em nós tudo o que fazíamos, mas não lhe desagradava o que ele mesmo fez em nós. Por isto, o que nós fizemos, ele o condenará; o que ele próprio fez, ele o salvará.  
Não éramos bons. Mas ele se compadeceu de nós e enviou seu Filho para morrer não pelos bons, mas pelos maus, não pelos justos, mas pelos ímpios. Na verdade Cristo morreu pelos ímpios (Rm 5,6). E como continua? Mal se encontra alguém que morra por um justo, pois talvez alguém se atreva a morrer por um bom (Rm 5,7). Quiçá haja alguém que ouse morrer por um bom. Mas pelo injusto, pelo ímpio, pelo iníquo, quem quererá morrer? Só Cristo, para que, justo, justifique até mesmo os injustos.  
Não tínhamos, meus irmãos, nenhuma obra boa, mas todas eram más. E sendo tais os atos dos homens, sua misericórdia não abandonou os homens. Deus enviou seu Filho, para remir-nos, não por ouro, não por prata, mas ao preço de seu sangue derramado, cordeiro imaculado levado como vítima pelas ovelhas maculadas, se é que só maculadas e não totalmente corrompidas! Recebemos então esta graça. Vivamos de modo digno dessa graça e não façamos injúria à grandeza do dom que recebemos. Tão grande médico veio a nós e perdoou todos os nossos pecados. Se quisermos recair na doença, não só nos prejudicaremos a nós mesmos, mas seremos ingratos ao próprio médico.  
 Sigamos os caminhos que ele próprio indicou, muito em especial a via da humildade, via que ele mesmo se fez por nós. Mostrou-nos pelos preceitos o caminho da humildade e criou-o padecendo por nós. Com o intuito de morrer por nós – e sem poder morrer – o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), para poder morrer por nós, aquele que não podia morrer. E com sua morte matar nossa morte.  
Fez isto o Senhor, isto nos concedeu. O excelso humilhou-se, humilhado foi morto e, ressurgindo, foi exaltado, a fim de não nos deixar mortos nas profundezas, mas de exaltar em si na ressurreição dos mortos aqueles que já agora exaltou pela fé e o testemunho dos justos. Deu-nos então a humildade como caminho. Se nos agarrarmos a ela, confessaremos o Senhor e com toda razão cantaremos: Nós te confessaremos, Senhor, confessaremos e invocaremos teu nome (Sl 74,2).

sábado, 15 de agosto de 2015

Fratello Sole, Sorella Luna (Irmão Sol, Irmã Lua)

Fratello Sole, Sorella Luna

Dolce sentire come nel mio cuore
Ora umilmente sta nascendo amore
Dolce capire che non son più solo
Ma che son parte di una immensa vita
Che generosa risplende intorno a me
Dono di lui, del suo immenso amore!

Ci ha dato il cielo e le chiare stelle
Fratello sole e sorella luna
La madre terra con frutti prati e fiori
Il fuoco, il vento, l'aria e l'acqua pura
Fonte di vita per le sue creature
Dono di lui, del suo immenso amore
Dono di lui, del suo immenso amore.



Irmão Sol, Irmã Lua

Doce é sentir como em meu coração
Agora humildemente está nascendo amor
Doce é entender que não sou mais só
Mas que eu sou parte de uma imensa vida
Que generosa resplende em torno de mim
Presente dele, do seu imenso amor!

Deu-nos o céu e as estrelas claras
Irmão sol e irmã lua
A mãe terra com frutos, campos e flores
O fogo, o vento, o ar e água pura
Fonte de vida para suas criaturas
Presente dele, do seu imenso amor
Presente dele, do seu imenso amor.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Igreja Católica: Mãe das Universidades - Prof. Felipe Aquino

Brasão da Universidade de Bolonha, a primeira do mundo, fundada pela Igreja Católica
    
 Os estudantes universitários normalmente têm um conhecimento pouco profundo sobre a Idade Média; e porque muitos são mal informados, acham que foi um período de ignorância, superstição e repressão intelectual por parte da Igreja Católica. No entanto, foi exatamente na Idade Média que surgiu a maior contribuição intelectual para o mundo: o sistema universitário. A universidade foi um fenômeno totalmente novo na história da Europa. Nada como ele existiu no mundo grego ou romano afirmam os historiadores.
     O ensino superior na Idade Média era ministrado por iniciativa da Igreja. A Universidade medieval não tem precedentes históricos; no mundo grego houve escolas públicas, mas todas isoladas. No período greco-romano cada filósofo e cada mestre de ciências tinham “sua escola”, o que implicava justamente no contrário de uma Universidade. Esta surgiu na Idade Média, pelas mãos da Igreja Católica, e reunia mestres e discípulos de várias nações, os quais constituíam poderosos centros de saber e  de erudição.
     Por volta de 1100, no meio de uma grande fermentação intelectual, começam as surgir as Universidades; o orgulho da Idade Média cristã, irmãs das Catedrais. A sua aparição é um marco na história da civilização Ocidental que nenhum historiador tem coragem de negar. Elas nasceram às sombras das Catedrais e dos mosteiros. Logo receberam o apoio das autoridades da Igreja e dos Papas. Assim, diz Daniel Rops, “a Igreja passou a ser a matriz de onde saiu a Universidade” (A Igreja das Catedrais e das Cruzadas, p. 345).
    Tudo isso nesta bela época que alguns teimam em chamar maldosamente de “obscura” Idade Média. A razão e a fé sempre caminharam juntas na Igreja.
     A raiz das Universidades está no século IX com as escolas monásticas da Europa, especialmente para a formação dos monges, mas que recebiam também estudantes externos. Depois, no século XI surgiram as escolas episcopais; fundadas pelos bispos, os Centros de Educação nas cidades, perto das Catedrais. No século XII, surgiram centros docentes debaixo da proteção dos Papas e Reis católicos, para onde acorriam estudantes de toda Europa.
     A primeira Universidade do mundo Ocidental foi a de Bolonha (1158), na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a escola monacal camaldulense de São Félix. Em 1200 Bolonha tinha dez mil estudantes (italianos, lombardos, francos, normandos, provençais, espanhóis, catalães, ingleses germanos, etc.). A segunda, e que teve maior fama foi a Universidade de Paris, a Sorbone, que surgiu da escola episcopal da Catedral de Notre Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luís IX, rei de França, Sorbon. Ali foram estudar muitos grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino. A universidade de Paris (Sorbonne) era chamada de “Nova Atenas” ou o “Concílio perpétuo das Gálias”, por ser especialmente voltada à teologia.
     O documento mais antigo que contém a palavra “Universitas” utilizada para um centro de estudo é uma carta do Papa Inocêncio III ao “Estúdio Geral de Paris”. A universidade de Oxford, na Inglaterra, surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbonne de Paris. Foi apoiada pelo Papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254.
     Salamanca é a Universidade mais antiga da Espanha das que ainda existem, fundada pela Igreja; seu lema é “Quod natura non dat, Salmantica non praestat” (O que a natureza não nos dá, Salamanca não acrescenta”). Entre as universidades mais antigas está a de Santiago de Compostela. A cidade foi um foco de cultura desde 1100 graças ao prestígio de sua escola capitular que era um centro de formação de clérigos vinculados à Catedral. A Universidade de Valladolid é anterior à de Compostela já que em 1346 obteve do  papa Clemente VI a concessão  de todas as faculdades, exceto a de Teologia.
     Em 1499, o Cardeal Cisneros fundou a famosa universidade “Complutense” mediante a Bula Pontifícia concedida pelo Papa Alexandre VI. Nos anos de 1509-1510 já funcionavam cinco Faculdades: Artes e Filosofia, Teologia, Direito Canônico, Letras e Medicina.
     Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. O Papa Clemente V (1305-1314) no Concilio universal de Viena em 1311, mandou que se instaurassem nas escolas superiores cursos de línguas orientais (hebreu, caldeu, árabe, armênio, etc.), o que em breve foi feito também  em Paris, Bolonha, Oxford, Salamanca e Roma.
     A atual Universidade de Roma, La Sapienza – onde tristemente estudantes e professores impediram o Papa Bento XVI de proferir a aula inaugural em 2008 –  foi fundada há sete séculos, em 1303, pelo Papa Bonifácio VIII (1294-1303), com o nome de “Studium Urbis”.
     Das 75 Universidades criadas de 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, que surgiram espontaneamente ou por decisão do poder secular, receberam em seguida a confirmação pontifícia, com a concessão da Faculdade de Teologia ou de Direito Canônico. (Sodano, 2004).
     As universidades atraíam multidões de estudantes, da Alemanha, Itália, Síria, Armênia e Egito. Vinham para a de Paris chegavam a 4000, cerca de 10% da população.
     Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Toulouse (1217), Anger (1220), Gray, Pont-à-Mousson, Lyon, Parmiers, Norbonne e Cabors. Na Itália: Salerno (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja. Como dizer que a Idade Média cristã foi uma longa “noite escura” no tempo? As universidades medievais foram centros de intensa vida intelectual, onde os grandes homens se enfrentavam em discussões apaixonadas nos grandes problemas. E a fé era o fermento que fazia a cultura crescer.
     Graças ao latim todos se entendiam, era a língua universal e acadêmica; esta permitia aos sábios comunicar-se de um ponto a outro da Europa Ocidental. Havia uma unidade interna e de obediência aos mesmos princípios; era o reflexo de uma civilização vigorosa, segura de sua força e de si mesma.
     A partir de 1250, o grego foi ensinado nas escolas dominicanas e, a partir de 1312 nas universidades de Sorbonne, Oxford, Bolonha e Salamanca. Abria-se assim um novo campo ao pensamento que desencadeou uma onda de paixão filosófica no nascimento da Escolástica-teologia e filosofia unidas para provar uma proposição de fé.
    Santo Agostinho, Cassidoro, Santo Isidoro de Sevilha, Rábano Mauro e Alamino, os grandes mestres da Antiguidade, se apoiavam sobretudo nas Sagradas Escrituras. Agora o intelectual cristão da Idade Média quer demonstrar que os dogmas estão de acordo com a razão e que são verdadeiros. É a “teologia especulativa”, onde a filosofia é amiga da teologia. Os problemas do mundo são estudados agora sob esta dupla ótica.
     A Universidade medieval era um mundo turbulento e cosmopolita; os estudantes de Paris estavam repartidos em quatro nações: os Picardos, os Ingleses, os Alemães e os Franceses.  Os professores também vinham de diversas partes do mundo: havia Sigério de Brabante (Bélgica), João de Salisbury (Inglaterra), S. Alberto Magno (Renânia), S. Tomás de Aquino e São Boaventua da Itália.
     Os problemas que apaixonavam os filósofos, eram os mesmos em Paris, em Oxford, em Edimburgo, em Colônia ou em Pavia. O mundo estudantil era também um mundo itinerante: os jovens saiam de casa para alcançar a Universidade de sua escolha; voltavam para sua terra nas festas.  O sistema universitário que temos hoje com cursos de graduação, pós-graduação, faculdades, exames e graus veio diretamente do mundo medieval.
     Os papas sabiam bem da importância das universidades nascentes para a Igreja e para o mundo, e por isso intervinham em sua defesa muitas vezes. O Papa Honório III (1216-1227) defendeu os estudantes de Bolonha em 1220 contra as restrições de suas liberdades. O Papa Inocêncio III (1198-1216) interveio quando o chanceler de Paris insistiu em um juramento à sua personalidade. O Papa Gregório IX (1227-1241) publicou a Bula “Parens Scientiarum” em nome dos mestres de Paris, onde garantiu à Universidade de Paris (Sorbonne) o direito de se auto-governar, podendo fazer suas leis em relação aos cursos e estudos, e dando à Universidade uma jurisdição papal, emancipando-a da interferência da diocese.
     O papado foi considerado a maior força para a autonomia da Universidade, segundo A. Colban (1975). Era comum as universidades trazerem suas queixas ao Papa em Roma. Muitas vezes o Papa interveio para que as universidades pagassem os salários dos professores; Bonifácio VIII (1294-1303), Clemente V (1305-1314), Clemente VI (1342-1352), e Gregório XI (1370-1378) fizeram isso.
“Na universidade e em outras partes, nenhuma outra instituição fez mais para promover o saber do que a Igreja Católica”, garante Thomas  Woods (p. 51).
     O processo para se adquirir a licença para ensinar era difícil. Para se ter ideia da solenidade e importância do ato, basta dizer que a pessoa para ser licenciada se ajoelhava diante do Vice-chanceler, que dizia:
“Pela autoridade dos Apóstolos Pedro-Paulo, dou-lhe a licença de ensinar, fazer palestras, escrever, participar de discussões… e exercer outros atos do magistério, ambos na Faculdade de Artes em Paris e outros lugares, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém” [Daly, 1961; p. 135].
     Uma riqueza da universidade medieval é que era atenta às finalidades sociais. Não se aceitava a ideia de uma cultura desinteressada, ou um saber exclusivamente para seu próprio benefício pessoal. “Deve-se aprender apenas para a própria edificação ou para ser útil aos outros; o saber pelo saber é apenas uma vergonhosa curiosidade”, já havia dito São Bernardo (1090-1153).
     Para Inocêncio IV (1243-1254) a Universidade era o “Rio da ciência que rege e fecunda o solo da Igreja universal”, e Alexandre IV (1254-1261) a chamava de: “Luzeiro que resplandece na Casa de Deus” (Daniel Rops, p.348).
     Portanto, são maldosos ou ignorantes da História aqueles que insistem em se referir à Idade Média e à Igreja como promotoras da inimizade à Ciência e perseguidora dos cientistas.

Prof. Felipe Aquino

Este artigo está disponível no site da Editora Cléofas: http://cleofas.com.br/igreja-catolica-mae-das-universidades/


Pai Nosso em Grego - Pater hemon