terça-feira, 28 de julho de 2015

Santa Teresinha do Menino Jesus nos fala..

do dia de sua Primeira Comunhão.

"Raiou enfim o "mais belo de todos os dias". Quão inefáveis não são as recordações que na alma me deixaram as mínimas circunstâncias desta data do Céu!...A alegre alvorada, os respeitosos e afetuosos beijos das mestras e das colegas maiores...O salão nobre, repleto de tufos cor de neve, com os quais  cada criança se via adornada por sua vez...Acima de tudo, a entrada na Capela e a entoação matinal do lindo cântico: "Ó Santo Altar, que dos anjos sois rodeado". [...]
Foi um ósculo de amor. Sentia-me amada, e de minha parte dizia: "Amo-vos, entrego-me a Vós para sempre". Não houve pedidos, nem juramentos, nem sacrifícios. Desde muito Jesus e a pobre Teresinha se tinham olhado e compreendido. Naquele dia porém já não era um olhar, era uma fusão. Já não eram dois, Teresa desvanecera, como a gota de água que se dilui no bojo do oceano. Ficava só Jesus, era Ele o Senhor, o Rei. Teresa pedira-lhe que lhe tirasse sua liberdade, pois sua liberdade lhe dava medo. Sentia-se tão fraca, tão frágil, que desejava permanecer para sempre unida à Força Divina!...Sua alegria era grande demais, profunda demais, para que a pudesse represar. Não tardou em debulhar-se em deliciosas lágrimas, com grande espanto das colegas, que mais tarde diziam entre si: "Não será por  não ter junto a si a própria mãe ou a irmã, que é carmelita, a quem tanto ama?" -- Não compreendiam que, ao descer a um coração toda a alegria do Céu, não a pode suportar um coração banido, sem derramar lágrimas... [...] Nesta data meu coração se encheu só de alegria. Uni-me a ela, que irrevogavelmente se dava Àquele que tão amorosamente se dava a mim!..."

Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face. História de uma alma. Manuscritos autobiográficos. São Paulo: Ed. Paulinas, 1979, 12ª edição, p. 90.





segunda-feira, 27 de julho de 2015

Evangelho de São João, Capítulo 1, Versículo 1, em grego e português.


EΝ AΡΧH HΝ O ΛOΓΟΣ ΚΑI O ΛOΓΟΣ HΝ PROΣ ΤOΝ ΘΕOΝ ΚΑI ΘΕOΣ HΝ O ΛOΓΟΣ.

Em letras minúsculas: Ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ Λόγος καὶ ὁ Λόγος ἦν πρὸς τὸν Θεόν, καὶ Θεὸς ἦν ὁ Λόγος.

(Transliteração: Én arkhê ên ho Logos, kai ho Logos ên pros ton Theón, kai Theós ên ho Logos)

No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus.

Manuscrito do primeiro capítulo do Evangelho de São João, em grego (koiné), língua em que foi escrito. Na época, todas as palavras eram escritas em letras maiúsculas sem espaço entre elas. 


EΝAΡΧHHΝOΛOΓΟΣΚΑIOΛOΓΟΣHΝΡOΣΤOΝΘΕOΝΚΑIΘΕOΣHΝOΛOΓΟΣ.

Oração. Multiplicação dos pães.

Senhor Jesus, somente vós podeis saciar nossa fome de felicidade. Fome que, como ensinais, só pode ser saciada pela nossa participação na vida da Trindade. 
Venho a vós, sedento e faminto, cansado de procurar a felicidade nas criaturas. Creio que  sois para mim o pão da vida nova, que me transformais e me assimilais a vós, fazendo-me participante de vossa divindade.
Participando de vosso corpo e de vosso sangue, de vossa vida e de vossa morte, alegro-me na esperança certa da vida eterna, na plena e total felicidade, quando já não haverá nem fome nem sede. 
No descampado da vida, onde nada encontro que me sacie, sois para mim o pão descido do céu. Quero alimentar-me de vós, Senhor, e assim terei forças para continuar na minha caminhada. Amém.

Fonte: Revista de Aparecida, julho de 2015, p. 57.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

São Boaventura. "Cristo é o caminho e a porta".


São Boaventura, O.F.M, bispo e doutor da Igreja (séc. XII). Obteve do título de mestre em teologia (hoje equivalente ao de doutor) em 1253, no mesmo dia em que Santo Tomás de Aquino. Foi titular da cadeira franciscana de teologia da Universidade de Paris, cardeal-bispo de Albano e ministro geral da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.).  Foi declarado "Doutor Seráfico" pelo papa Sisto IV.

Do Opúsculo Itinerário da mente para Deus (Cap.7,1.2.4.6: Opera omnia,5,312-313)

A sabedoria mística revelada pelo Espírito Santo
Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, o propiciatório colocado sobre a arca de Deus (cf. Ex 26,34) e o mistério desde sempre escondido (Ef 3,9). Quem olha para este propiciatório, com o rosto totalmente voltado para ele, contemplando-o suspenso na cruz, com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com ele a páscoa, isto é, a passagem. E assim, por meio do lenho da cruz, atravessa o mar Vermelho, saindo do Egito e entrando no deserto, onde saboreia o maná escondido. Descansa também no túmulo com Cristo, parecendo exteriormente morto, mas experimentando, tanto quanto é possível à sua condição de peregrino, aquilo que foi dito pelo próprio Cristo ao ladrão que o reconhecera: Ainda hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23,43).
Nesta passagem, se for perfeita, é preciso deixar todas as operações intelectuais, e que o ápice de todo o afeto seja transferido e transformado em Deus. Estamos diante de uma realidade mística e profundíssima: ninguém a conhece, a não ser quem a recebe; ninguém a recebe, se não a deseja; nem a deseja, se não for inflamado, até à medula, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou ao mundo. Por isso, o Apóstolo diz que essa sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo (cf. 1Cor 2,13).
Se, portanto, queres saber como isso acontece, interroga a graça, e não a ciência; o desejo, e não a inteligência; o gemido da oração, e não o estudo dos livros; o esposo, e não o professor; Deus, e não o homem; a escuridão, e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unções suavíssimas e afetos ardentíssimos. Esse fogo é Deus; a sua fornalha está em Jerusalém. Cristo acendeu-a no calor da sua ardentíssima paixão. Verdadeiramente, só pode suportá-la quem diz: Minha alma prefere ser sufocada, e os meus ossos a morte (cf. Jó 7,15). Quem ama esta morte pode ver a Deus porque, sem dúvida alguma, é verdade: O homem não pode ver-me e viver (Ex 33,20). Morramos, pois, e entremos na escuridão; imponhamos silêncio às preocupações, paixões e fantasias. Com Cristo crucificado, passemos deste mundo para o Pai (cf. Jo 13,1), a fim de podermos dizer com o apóstolo Filipe, quando o Pai se manifestar a nós: Isso nos basta (Jo 14,8); ouvirmos com SãoPaulo: Basta-te a minha graça (2Cor 12,9); e exultar com Davi, exclamando:Mesmo que o corpo e o coração vão se gastando, Deus é minha parte e minha herança para sempre! (Sl 72,26). Bendito seja Deus para sempre! E que todo o povo diga: Amém! Amém! (cf. Sl 105,48).

domingo, 14 de junho de 2015

Alma de Cristo


Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, purificai-me.
Paixão do Senhor, confortai-me,
Ó Bom Jesus, escutai-me.
Nas vossas chagas, escondei-me.
Não me separe de Vós.
Do inimigo, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me,
E mandai-me ir para Vós.
Com Vossos Santos Vos louve no céu
Eternamente. Amém.

(Oração de Santo Inácio de Loyola)

Pai, pequei contra o céu e contra ti...






















OBRIGADO, SENHOR DE TODAS AS MISERICÓRDIAS, PELO PERDÃO RECEBIDO NESTE DIA. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!
Festa de Santo Antônio de Pádua.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

REGINA CAELI

Regina Caeli

Regina caeli, laetare, alleluia,
quia quem meruísti portáre, alleluia,
resurréxit sicut dixit, alleluia;
ora pro nobis Deum, alleluia.




RAINHA DO CÉU

Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia,
Pois o Senhor que merecestes trazer em vosso seio, aleluia,
Ressuscitou, como disse, aleluia;
Rogai a Deus por nós, aleluia.


Como os anjos compuseram o "Regina Coeli"

O "Regina Cœli" ou "Regina Cæli" (em português “Rainha do Céu”) é um hino dedicado a Nossa Senhora que se reza às 6h00, 12h00 e às 18h00, durante o Tempo Pascal. Ele substitui a oração do Ângelus, feita nos outros dias do ano, nos mesmos horários. Não se conhece autor humano. Ele teria sido composto pelos anjos, segundo atesta imemorial tradição. Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste. Para aplacar a cólera divina, o Papa São Gregório Magno ordenou uma litania septiforme, isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana. Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que, no breve espaço de uma hora, oitenta pessoas caíram mortas ao chão. Mas S. Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, da igreja de Aracoeli, pintado pelo evangelista São Lucas. Fato maravilhoso: à medida que a imagem avançava, a área se tornava mais sã e limpa à passagem da procissão, e os miasmas da peste se dissolviam. Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual São Gregório respondeu: “Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli. 
Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo. Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel.

Quadro da Virgem de Aracoeli, atribuída ao evangelista São Lucas.

Castelo de Sant'Angelo em Roma

Imagem do anjo que embainha a espada, no alto do Castelo de Sant'Angelo em Roma

Fonte: https://virgemimaculada.wordpress.com/2014/07/19/como-surgiu-a-oracao-regina-coeli/

domingo, 12 de abril de 2015

Ao meu anjo da guarda - Um dos belos poemas de Santa Teresinha do Menino Jesus




À mon ange gardien

Glorieux gardien de mon âme,
Toi qui brille dans le beau ciel
Comme une douce et pure flamme
Près du trône de l'Eternel
Tu descends pour moi sur la terre
Et m'éclairant de ta splendeur
Bel ange, tu deviens mon frère,
Mon ami, mon consolateur!...

Connaissant ma grande faiblesse
Tu me diriges par la main
Et je te vois avec tendresse
Oter la pierre du chemin
Toujours ta douce voix m'invite
A ne regarder que les cieux
Plus tu me vois humble et petite
Et plus ton front est radieux.


O toi ! qui traverses l'espace
Plus promptement que les éclairs
Je t'en supplie, vole à ma place
Auprès de ceux qui me sont chers
De ton aile sèche leurs larmes
Chante combien Jésus est bon
Chante que souffrir a des charmes
Et tout bas, murmure mon nom ...

Je veux pendant ma courte vie
Sauver mes frères les pécheurs
O bel ange de la patrie
Donne-moi tes saintes ardeurs
Je n'ai rien que mes sacrifices
Et mon austère pauvreté
Avec tes célestes délices
Offre-les à la Trinité.

A toi le royaume et la gloire,
Les richesses du Roi des rois.
A moi l'humble Hostie du ciboire,
A moi le trésor de la Croix.
Avec la Croix, avec l'Hostie
Avec ton céleste secours
J'attends en paix de l'autre vie
Les joies qui dureront toujours.

Sainte Thérèse de l'Enfant-Jésus et de la Sainte-Face. Poésies. Paris: le Cerf, 1979.


TRADUÇÃO

Glorioso guardião de minha alma
Tu que brilhas no belo céu
Como uma pura e doce chama
Ao lado do trono do Eterno
Por mim tu desces à Terra
E iluminando-me com teu esplendor
Belo anjo, tu te tornas meu irmão
Meu amigo, meu consolador...

Conhecendo minha grande fraqueza,
Tu me diriges pela mão
E te vejo com ternura
Afastar as pedras do chão
Tua doce voz sempre me convida
A olhar apenas para o Céu.
Quanto mais me vês humilde e pequena
Mais  radiante fica tua face.

Ó tu que atravessas o espaço
Mais rápido que os relâmpagos
Eu te peço, voa em meu lugar
Para perto daqueles que amo
Com tua asa seca-lhes as lágrimas
Canta o quanto Jesus é bom
Canta que sofrer tem seu encanto
E baixinho, murmura o meu nome...

Eu quero, em minha curta vida,
Salvar meus irmãos, os pecadores
Ó belo anjo da Pátria,
Dá-me teus  santos ardores
Eu tenho apenas meus sacrifícios
E minha austera pobreza
Com tuas celestes delícias
Ofereça-os à Trindade.

A ti o Reino e a Glória
A riqueza do Rei dos reis
A mim a Hóstia humilde do cibório
A mim o tesouro da Cruz
Com a Cruz e com a Hóstia
E com tua celeste ajuda
Eu espero em paz as alegrias
Da outra vida, que durarão eternamente.




segunda-feira, 30 de março de 2015

Eu fico!

“Vou-me devagarinho para a eternidade... Vou com duas malas: uma contém os meus pecados; a outra, bem mais pesada, contém os méritos infinitos de Jesus Cristo. Quando eu comparecer diante do Tribunal de Deus, cobrirei a minha mala feia com os méritos de Nossa Senhora. Depois abrirei a outra e apresentarei os méritos de Jesus Cristo. Direi ao Pai: ‘Agora julgai o que vedes’. Estou segura de que não serei rejeitada! Então me voltarei para São Pedro e lhe direi: ‘Pode fechar a porta porque eu fico!

Santa Bakhita (1869 - 1947)

SANTA JOSEFINA BAKHITA, ROGAI POR NÓS!

Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!

 William-Adolphe Bouguereau. Pietà (1876)

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo, século V

(Sermo Guelferbytanus 3:PLS 2,545-546)


A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência.

Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?

Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus?

Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.

Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte.

Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.

Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que em nós encontrou, garantiu com total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos.

Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?

Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.

O apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo – mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).